Minha paixão mais antiga e mais duradoura é transmitir às pessoas conhecimentos que considero úteis, interessantes, ou valiosos. Comecei aos cinco anos de idade, lendo jornais e outras coisas para colegas na escola, e continuo até hoje – ao aprender alguma coisa nova, meu primeiro impulso sempre é ensinar para outra pessoa.

Meu primeiro contato com o Qi Gong se deu em 1998, através de minha mãe, então paciente e aluna do mestre Cao Yinming. Aos ler seus livros e materiais de aula e realizar as práticas por conta própria, fui observando que traziam resultados e, em 2001, comecei a fazer tratamento com acupuntura com o mestre.
Como de costume na Medicina Tradicional Chinesa, o mestre recomendou combinar o tratamento com a prática do Qi Gong, e logo passei a assistir formalmente suas aulas e receber orientações.


Meu envolvimento com a prática se intensificou, e nos anos seguintes aprofundei meu estudo sobre as artes chinesas – fui para uma escola de acupuntura, estudei mandarim, neuroanatomia, história e filosofia chinesa, pratiquei Tai Chi e Baguazhang (artes marciais), e montei um grupo de discussão de filosofia oriental na Unicamp.
Fiz isso ao mesmo tempo em que seguia a carreira universitária – da graduação ao pós-doutorado me especializei em filosofia prática e ciências da Antiguidade, no Brasil, França, e Alemanha.

Integrar o estilo Yi Fa ao meu dia a dia me trouxe diversas ferramentas para administrar minha qualidade de vida. Elas foram um recurso valioso em situações extremas – estresse, competição, violência, doença, pobreza -, e também me fizeram apreciar a beleza, profundidade e alegria dos momentos tranquilos.
Os resultados que obtive com a prática são menos que uma gota d’água perto das realizações dos mestres. Mas, mesmo assim, minha experiência já me mostrou com clareza que os ensinamentos são um caminho efetivo que conduz à saúde, à harmonia e à sabedoria, e que por esse motivo vale a pena ser trilhado.

Em 2009 ocorreu o falecimento do mestre Cao Yinming. Por conta disso busco me aprofundar na arte me dirigindo às fontes dos ensinamentos deixados pelo mestre, no melhor de minha capacidade e das oportunidades de aprendizado sob outros mestres.
Nesse sentido, estudo budismo sino-tibetano, e também me especializo em um estilo de Tai Chi mais diretamente voltado ao cultivo do Qi e da saúde. Complemento esse trabalho com minha própria formação em filosofia, tradução e metodologia científica – e nisso, também, inspiro-me nos mestres da tradição.
