Yi Fa

O estilo de Qi Gong que praticamos se chama Yi Fa Qi Gong (易法气功). O termo Yi (易) significa tanto “mudança” e “adaptação” como “facilidade” e “simplicidade” – este é parte do título do famoso Livro das Mutações (“Yi Jing”, ou “I Ching”). Fa (法) significa aqui uma “lei” ou um “método”. Sendo assim, Yi Fa significa tanto “um método simples” como “um método adaptável”.

Porém a expressão também se refere a uma lei (法) fundamental da natureza, a saber: “tudo está em constante mudança”Yi Fa é, portanto, um sistema de ensino e de treino que leva em conta o constante movimento da natureza e a ele se adapta de modo a maximizar seus resultados. Trata-se, pois, de uma maior eficiência por meio da simplicidade e da adaptação inteligente.

O estilo Yi Fa tem como propósito a promoção da qualidade de vida, a qual, segundo entendemos, é essencial para a felicidade. Para nos aproximarmos desse estado, nossa proposta é promover o bem estar por meio da saúde, do autoconhecimento, do desenvolvimento pessoal, do cultivo de potenciais latentes, e da compreensão do mundo. E, para isso, o treinamento se volta a eliminar dores, prevenir doenças, promover estabilidade mental e emocional, e desenvolver maior harmonia entre o indivíduo e a natureza.

Em última instância Yi Fa não é apenas um sistema didático, porém sobretudo um estilo de vida: significa compreender a constante necessidade de mudança e adaptação, descartar o que é excessivo e cultivar o que é essencial e benéfico, e viver cada instante refletindo sobre nossa relação com nosso ambiente e com o Qi em suas diversas formas.

ADAPTAÇÃO ATRAVÉS DO CONHECIMENTO

Uma outra característica desse estilo é a dinâmica do conhecimento. Um dos preceitos básicos do estilo Yi Fa dita que a técnica aplicada não pode ser a mesma para todas as pessoas. Cada indivíduo tem características próprias, peculiaridades que devem ser atentamente observadas. Isso influencia sobremaneira o processo de aprendizado e treinamento. Por exemplo: um estudante ou empresário que passa o dia sentado no escritório lida com situações diferentes daquelas de um médico, de um policial, ou de um artista. Se um indivíduo tem pressão alta, por certo não poderá praticar da mesma forma que um outro que tenha pressão normal ou baixa; e um outro que tem dificuldade para movimentar os membros não deverá seguir a mesma rotina de Qi Gong que um atleta. Um jovem tem necessidades diferentes de um idoso, assim como mulheres e homens.

A dinâmica diz respeito não somente às diferenças entre as pessoas. Refere-se, igualmente, às mudanças climáticas ocorridas no dia-a-dia e àquelas ocasionadas pelo suceder das estações do ano. Dessa forma, as sequências de exercícios e respirações mudam conforme estivermos na primavera, no verão, no outono ou no inverno. Da mesma maneira, há que se observar se o dia está muito quente, chuvoso ou mais fresco; se estamos mais nervosos ou relaxados emocionalmente, mais estressados ou mais deprimidos. O nosso organismo não é estático – nem interna, nem externamente – e reage de forma diferente todos os dias, em função de diferenças genéticas, hábitos de vida, e do ambiente que o circunda.

No entanto, tal dinâmica só se torna possível com a sensibilidade do Qi bem como com o estudo e domínio do conhecimento teórico, o qual proporciona ao praticante maior consciência da técnica utilizada e de seus efeitos em seu próprio organismo. Esse direcionamento individual da prática do Qi Gong é o que torna possível o aumento crescente dos resultados alcançados, com consequente melhora qualitativa no âmbito da vida do praticante. É fundamental, portanto, o entendimento da teoria para que esta possa ser aplicada com eficácia no nosso cotidiano.