O que é Qi Gong?
Qi Gong é uma arte mental e corporal chinesa voltada à saúde, à sensibilidade, ao desenvolvimento do potencial individual, e à harmonia em todos os seus aspectos. Mas é difícil responder em poucas linhas, assim como seria difícil dizer “o que é dança”. Há explicações mais detalhadas aqui e aqui.
Qual é a relação do Qi Gong com a acupuntura?
Tanto o Qi Gong como a acupuntura se baseiam na medicina tradicional chinesa. A acupuntura usa agulhas e moxa para regular o Qi do corpo do paciente, ao passo que o praticante de Qi Gong trabalha seu próprio Qi internamente.
Na China, a orientação ideal da medicina tradicional para prevenção e tratamento de desequilíbrios sempre é uma a combinação de acupuntura e Qi Gong, visto que um potencializa os benefícios do outro.
Preciso de algum material extra para praticar Qi Gong?
Não.
Uma ressalva é que se deve evitar contato prolongado com o chão frio e úmido e, para isso, algum tipo de isolamento simples é necessário, como um calçado (ou um tapete, caso esteja sentado), porém equipamentos específicos não são necessários.
Qi Gong é a mesma coisa que Yoga?
O Qi Gong e o Yoga têm origens diferentes e se baseiam em sistemas teóricos diferentes. As duas práticas certamente têm algumas intersecções (como os chakras, que equivalem a pontos de acupuntura importantes, ou como seus conceitos de meridianos), e ambas promovem a saúde, porém há diferenças significativas. A principal é sua definição: Qi Gong é uma arte muito ampla e variada, resultado de sistematizações de pesquisas e de práticas regionais chinesas, e Yoga é uma profunda disciplina filosófica, mental, e física, igualmente antiga, mas derivada de práticas indianas (budistas, hindus, e jainistas). No Qi Gong, a ênfase é a interação com a energia (“Qi”).
Qi Gong é a mesma coisa que Lian Gong?
Não. Lian Gong é uma prática moderna (com até 54 exercícios) com propósitos primariamente ortopédicos e voltados à saúde física.
O Qi Gong é uma categoria mais ampla e mais antiga, dá maior ênfase à meditação e à interatividade com o ambiente, e tem os objetivos adicionais de relaxamento, autoconhecimento, sensibilidade ao Qi, e equilíbrio emocional, além de encorajar o estudo de conhecimentos teóricos e filosóficos básicos para promover uma melhor compreensão dos exercícios.
Qi Gong é a mesma coisa que Tai Chi (Taijiquan)?
Não. O Tai Chi é uma arte marcial que, em alguns estilos, faz uso dos princípios do Qi Gong. Alguns de seus movimentos são similares e, vistos de fora, podem parecer a mesma coisa, porém o Qi Gong antecede a origem do Tai Chi em vários séculos.
Se eu treinar Qi Gong, vou poder ajudar outras pessoas?
Sim. “Energia” (Qi) se refere também ao seu humor, personalidade e senso de empatia. Com um Qi de qualidade passamos a adotar atitudes mais positivas frente outras pessoas, além de nos tornarmos mais compreensivos quanto às dificuldades que outros possam estar enfrentando. Para a medicina tradicional chinesa, irritabilidade, ciúmes, egoísmo e desonestidade por motivo de medo são manifestações externas de um Qi em desarmonia. Além disso, com o desenvolvimento de potenciais latentes também adquirimos mais ferramentas para ajudar aos outros.
Que técnicas vou aprender? De onde elas vêm?
Várias, e de vários lugares. Por exemplo: Liu zi jue é uma técnica de respiração e visualização por vezes ensinada em cursos universitários de acupuntura na China, baseada em teorias antigas de sons terapêuticos. “Chakras” é o apelido dado a um tipo de Qi Gong tibetano que dissipa o Qi mais tóxico e pesado. Shou you bu é uma técnica curta e simples praticada caminhando. Volta à Primavera é uma compilação de diversas técnicas isoladas, visando promover a vitalidade e a circulação de Qi no corpo. Zuo ba duan jin é uma variante de uma técnica do século doze d.C., praticada sentada. Círculos é derivada do Qi Gong marcial e desenvolve extraordinariamente nossa consciência corporal e nossa sensibilidade interna.
Qi Gong é religião?
Não.
Pode fazer Qi Gong se for idoso? E se eu não conseguir fazer algum exercício?
Pode. As sequências são adaptadas às necessidades dos alunos, incluindo em relação à idade, e caso haja dificuldade em realizar algum exercício alternativas mais suaves ou mais meditativas são ensinadas. Se há interesse, não existem restrições ou impedimentos.
Queria só fazer exercícios. Por que preciso aprender a teoria?
É possível só se preocupar com as formas e movimentos, não há problema algum.
A teoria é necessária quando se quer compreender como os exercícios funcionam e, assim, saber adaptá-los a cada situação. Conhecendo a teoria, os resultados são maiores e em menor tempo.
O método Yi Fa foi desenvolvido de modo a se adaptar a diferentes contextos do praticante. Há técnicas mais curtas, mais simples, e menos exigentes em termos de tempo e de conhecimento teórico.
Grávidas podem fazer?
Podem, até o terceiro mês de gravidez.
Crianças podem fazer?
Há técnicas simples, mais lúdicas, que podem ser ensinadas para crianças. No entanto, o mais importante nessa idade é permitir que a criança brinque e experiencie o mundo por meio de todos os seus sentidos: toque, olfato, paladar, visão, audição e pensamento. A presença ou a ausência dessas experiências virá a determinar como o cérebro da criança se desenvolverá e, nesse momento da vida, estímulos sensoriais são mais importantes do que exercícios de Qi Gong.
A infância, contudo, é um período especialmente vantajoso para a prática de meditação. Não só ela promove autoconsciência na criança, mas também traz benefícios de longo-prazo muito difíceis de se alcançar quando já adulto. Pesquisas mostram que meditadores que iniciaram essa prática na infância têm comparativamente maior densidade cortical em regiões específicas do cérebro – algo muito positivo. Crianças que meditam crescem adultos mais calmos, responsáveis, e comprovadamente inteligentes.